Dicas para a impressão 3D com ABS
Imprimimos muitos objetos com os nossos filamentos, tivemos longas conversas com interessados no assunto e resolvemos inúmeros problemas de clientes nas impressões deles. Gostaríamos de compartilhar nossa experiência:

#hotEnd, #hotEnd1, #hotEnd2
O hot-end da impressora
O hot-end é a interface entre filamento e impressora. É, sem dúvida, a parte mais vulnerável da máquina, pois opera em temperaturas e pressões elevadas. Daremos, em seguida, recomendações sobre o material e construção do hot-end visando a impressão com filamentos de ABS.
Em todos os ítens a seguir usaremos os termos "bico", "bloco aquecedor" e "dissipador" ilustrados na foto ao lado.
 O material do hot-end
 O que acontece dentro do hot-end
um típico hot-end de uma impressora 3D com as partes constituintes
Um hot-end típico de uma impressora 3D
com as partes constituintes

#extrusao
Antes de imprimir: a extrusão tem que funcionar
Caso se faça o set-up de uma impressora nova ou tenha problemas na impressão recomendamos examinar primeiro a extrusão em si. Uma impressão não pode ser de qualidade se a extrusão não funcionar direito. Muitas vezes esta parte já resolve o problema.
"Extrudar" significa: através do controle manual da impressora eleva-se o bico alguns centímetros acima da mesa da impressora e extruda-se filetes no ar.
A forma como este filete sai do bico indica a qualidade da extrusão.
Saiba mais
extrudando plástico
Extrudando plástico

#temperaturaImpressao
A temperatura de impressão
Temperatura do hot-end para impressão de ABS: entre 220°C e 260°C. Certamente é vantajoso saber o que acontece nas diferentes temperaturas.
Segue lendo

#retract
Retract
O retract evita o vazamento de plástico pelo bico e os puxamentos de fios ("teias") quando o bico apenas se movimenta e não imprime.
Mas ele possui também outros aspectos interessantes

#warp, #warp1, #warp2
Warp das peças impressas: descolamento da mesa e rachaduras entre camadas
Peças impressas de ABS tem a qualidade desgradável de empenar (to warp, em inglês) ao resfirar. Isso mostra-se principalmente em peças maiores nas quais os cantos tendem a se levantar e/ou a peça apresentar rachaduras. Tratamos o tema e daremos, em seguida, dicas para evitar ou minimizar este problema.
 De onde vem o warp
Warp: descolamento da mesa
warp: descolamento da mesa
Warp: rachaduras entre camadas
warp: rachaduras entre camadas
 Como minimizar o warp

#fluxoExtrusao
Fluxo da extrusão
A quantidade de filamento que passa por unidade de tempo pelo hot-end da impressora ("fluxo") determina muito a qualidade da peça impressa e principalmente das suas áreas horizontais.
Veja mais

#entupimentoBico
Entupimento do bico
Quando a impressora, durante a impressão, para de emitir o plástico, porém continue a executar os movimentos, logo pensa-se em entupimento do bico. Mas geralmente não é bem assim!
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#esbranquicamento
Esbranquiçamento dos filamentos e das peças impressas em ABS
Quando se dobra, corta ou distorce uma peça de ABS - e esta pode ser o próprio filamento - a parte afetada perde cor e torna-se mais branca.
Saiba mais
esbranquiçamento de filamento de ABS por causa de uma dobra
Esbranquiçamento de filamento de ABS:
à esquerda: numa dobra; à direita: num corte

#umidade, #umidade1, #umidade2
Umidade
ABS é hidrofílico, quer dizer, "gosta de água" e atrai a umidade do ar. Isso tem que ser levado em conta principalmente na estocagem dos filamentos.
Daremos aqui algums dicas:
 Qual efeito tem a umidade
Esta umidade acumula na superfície do filamento ("adsorção"). Não sabemos ainda se penetra também ao interior do filamento ("absorção"). Imprimindo com ABS úmido formam-se pequenas bolhas de vapor no material aquecido dentro do hot-end da impressora. Quando estas saem dele, aliviadas da pressão que prevalece no hot-end, começam estourar. Isso dá aqueles estalinhos característicos e prejudica o aspecto visual da peça impressa - veja na foto ao lado um exemplo, cheio de pequenos "blobs" na superfície da peça impressa.
Portanto, evite ao máximo a exposição dos filamentos em atmosfera úmida.
Os nossos filamentos saem da fábrica em estado seco e embalados num saco plástico sob vácuo.
 Como secar filamentos e mantê-los secos
peças impressas com filamento úmido
Peças impressas com filamento úmido
  • Filamentos não usados devem retornar à embalagem original e, esta, fechada para evitar a circulação de ar em volta do filamento. Isso evita também o acúmulo de poeira no material.
  • Filamentos levemente úmidos podem ser secos na mesa aquecida da própria impressora 3D, antes de usá-los na impressão. Ajuste a temperatura da mesa de 80°C (não mais!, pois o carretel é feito de polipropileno, um plástico que começa a amolecer antes do ABS) e coloque o carretel com o filamento úmido em cima dela, meia hora num lado, meia hora no outro lado (agradecemos ao nosso cliente Ronaldo Campos por esta dica).
  • Durante a impressão é vantajoso posicionar a bobina de filamento acima da impressora: a mesa aquecida aquece o ar acima dela que, subindo e passando, seca o filamento que ainda não entrou na extrusora.
  • Caso se tenha uma impressora fechada, é recomendado...
    ... instalar o carretel com o filamento a ser usado na próxima impressão no interior dela e ligar a mesa aquecida horas antes da impressão a fim de secar filamento úmido. Eventualmente monta-se uma fonte de calor extra (por exemplo, lâmpadas incadescentes) para secar melhor e mais rápido. Componentes eletrônicos da classe térmica básica, sem serem energetizados, suportam ambientes até 75 °C.
    ... e manter a bobina de filamento durante a impressão dentro desta cobertura. Parte da umidade presa no filamento vai evaporar e tornar o filamento mais seco.
    Veja ao lado um exemplo de uma impressora fechada com aquecimento (lâmpadas incandescentes ligadas) adicional.
    estufa para guardar e secar filamentos
    Impressora fechada com aquecimento adicional
  • Filamentos podem ser estocados numa estufa.
    A 3D.on, por exemplo, possui uma antiga geladeira, - veja a foto ao lado (ok, não muito bonita, mas útil!). Montamos lâmpadas incandescentes no fundo do interior. Através de um dimmer podemos ajustar a potência delas e medimos temperatura e umidade relativa.
    Apenas com uma lâmpada de 60W dimmerizado ao máximo (potência aproximada de 20W) e ligada constantemente mantemos uma temperatura de em torno de 40°C e 20% de umidade relativa (numa sala com 20°C / 65% constantes). Aumentando para 40W, a temperatura na nossa estufa sobe para aproximadamente 50°C e a umidade relativa cai abaixo de 10%.
    A umidade dos filamentos evapora e dissolve no ar do interior da estufa. Algumas poucas aberturas diárias da porta da estufa são suficientes para a retirada e renovação deste ar úmido (quem imprime muito, abre muita esta porta ;-).
    Os filamentos lá dentro podem ficar meses e sempre estão prontos para uso imediato.
    20% de umidade relativa, portanto, é seco suficiente.

    Fazer a mesma coisa em escala menor funciona também. Para demonstrar, a 3D.on montou, como exemplo, uma pequena estufa feita de uma caixa térmica de isopor para secar e manter secos de até 5 kg de filamentos - veja a foto ao lado.
    Os materiais necessários são fáceis de encontrar e a montagem fácil de realizar. Algumas peças usadas podem ser impressas por você mesmo. Para a construção, não precisa de conhecimentos em eletrônica ou ferramentos especiais, por exemplo. O investimento em materiais é de aproximadamente R$80,00 e o custo operacional mensal (para a energia elétrica) cerca de R$6,00. Em troca, possui-se um ambiente protegido para estocar filamentos e ter eles sempre disponíveis para um impressão de ótima qualidade.
    estufa para guardar e secar filamentos
    Estufa maior para guardar e secar filamentos.
    Aqui há apenas uma lâmpada dimerizada ligada.
    peqena estufa para guardar e secar filamentos
    Estufa caseira para guardar e secar até 5kg de filamentos.
  • Foram relatados experimentos com caixas plásticas com dissecante - veja, por exemplo, aqui - e ainda aqui.